Outubro Rosa Yes!: fatores de risco e diagnóstico

No mês de conscientização sobre a prevenção do câncer de mama, o movimento Outubro Rosa, a Yes! preparou conteúdos especiais em parceria com profissionais do Hospital de Câncer de Pernambuco (HCP). A mastologista Cláudia Pereira esclarece pontos importantes sobre a prevenção e o rastreamento da doença.

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Yes! - Quais os primeiros sinais e sintomas do câncer de mama?

Dra. Cláudia - A presença de tumor palpável e indolor nas mamas ou axilas, sangramento ou retração do mamilo, mamas com áreas endurecidas como uma casca de laranja e/ou vermelhas como se estivessem inflamadas, na ausência de dor local ou de febre. Pode-se perceber ainda áreas de retração ou depressões, tipo enrugamento, na pele da mama.

Yes! – Como e quando deve ser realizado o autoexame? Existem atitudes que podem ajudar a prevenir o câncer de mama?

Dra. Cláudia - O autoexame deve ser realizado por todas as mulheres a partir do momento em que menstruam. Ele serve como autoconhecimento do corpo e se surgir qualquer modificação de um mês para o outro, fica facilmente perceptível. Sendo assim, ela deverá procurar o Mastologista. A partir dos 40 anos, além do autoexame mensal, deverá ser realizada a Mamografia anual.

O exame consegue detectar os tumores precocemente, ou seja, antes que se tornem palpáveis. Além das duas medidas, que são primordiais, é muito importante como forma de prevenção evitar a obesidade, o sedentarismo, o tabagismo e o alcoolismo.

Yes! - Existe algum período do ciclo menstrual mais indicado para o autoexame?

Dra. Cláudia - Sim. O autoexame deve ser realizado preferencialmente no período pós menstrual, de 7 a 10 dias após a menstruação terminar, quando a Mama está menos sujeita às alterações hormonais do ciclo, ou seja, menos dolorosa e sem inchaço.

Nas mulheres que não menstruam (que retiraram o útero, que estão na menopausa, etc) deve ser escolhido um dia fixo do mês para realizar esse autoexame, por exemplo: sempre no dia 1 de cada mês.

Yes! - Que exames devem ser realizados no intuito de rastrear a doença? Com que frequência e a partir de que idade?

Dra. Cláudia - A Mamografia é o principal exame na prevenção e diagnóstico precoce e está indicada para todas as mulheres a partir dos 40 anos, anualmente, segundo a SBM - Sociedade Brasileira de Mastologia, e as principais Sociedades Médicas norte-americanas. Ele pode ser associado a Ultrassonografia Mamária e a Ressonância Magnética de Mamas.

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Pode ser usada, como complemento à mamografia, a Ultrassonografia Mamária. Esse exame é indicado para as pacientes que têm mamas densas ou nas mulheres abaixo de 40 anos que percebem alguma alteração ou tumor nas mamas e não têm indicação ainda da Mamografia.

Outro exame radiológico que pode ser usado para diagnóstico é a Ressonância Magnética de mamas. Esse exame tem indicações limitadas por ter alto custo, não ser facilmente disponível e por ser de maior dificuldade de execução, sendo indicado naqueles casos não conclusivos no exame clínico, Mamografia e Ultrassonografia.

Yes! - Mulheres que têm histórico familiar devem tomar cuidados especiais?

Dra. Cláudia - Sim. O rastreamento deve ser mais rigoroso e começa mais cedo que a população geral. Consideramos risco aumentado familiar quando há casos de parentes de primeiro grau: mãe, irmã ou avó. Principalmente se esse tumor ocorreu em mulher jovem, abaixo de 40 anos ou pré-menopausa.

Outro dado importante de que se dispõe atualmente é o teste genético para verificar se há mutação de alguns genes que causam predisposição familiar ao câncer de mama, que são os genes BRCA 1 e 2. Caso haja essa mutação presente na família, a portadora da mutação ou parentes de primeiro grau de mulheres portadoras são considerados pacientes de alto risco.

Aos pacientes de alto risco é recomendado Mamografia e Ressonância Magnética anual a partir dos 30 anos, mas a Mamografia não antes dos 25 anos ou 10 anos antes da idade da parente mais nova à época do diagnóstico. Por exemplo: a mãe teve câncer aos 35 anos. Sua filha deve iniciar o seu rastreamento aos 25 anos, ou seja, 10 anos antes da idade que ocorreu na sua parente.

Yes! - Por quê a reposição hormonal pode aumentar os riscos de câncer de mama?

Dra. Cláudia - A reposição hormonal pode aumentar a chance de câncer de mama se realizada por período superior a 5 anos, principalmente nas pacientes de alto risco. A utilização ou a exposição prolongada ao hormônio estrogênio (considerado um indutor para a maioria dos casos de câncer de mama) é que gera esse risco. Se a reposição for bem indicada e realizada em mulheres que não sejam de alto risco e num período inferior a 5 anos, não há problema.

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