Dia da Mulher representa a luta do gênero por direitos iguais

Apesar de ter conquistado vários direitos, as mulheres ainda sofrem discriminação social, econômica e política.

No dia 8 de março de 1857 operárias de uma fábrica de tecidos de Nova York fizeram uma grande greve para reivindicar por condições de trabalho e baixa remuneração. A greve foi cruelmente reprimida e 130 mulheres morreram carbonizadas dentro da fábrica. A partir de então a data foi marcada como forma de simbolizar a luta da mulher na sociedade.

Mas mesmo depois de 161 anos, ainda não temos o que comemorar. As mulheres ainda lutam por direitos iguais no mercado de trabalho, na política e na sociedade. Atualmente, em média doze mulheres morrem todos os dias no Brasil. São 503 mulheres brasileiras vítimas de agressão física a cada hora.

Violência

Uma em cada três mulheres sofrem algum tipo de violência e, na maior parte dos casos, a agressão parte de algum conhecido ou companheiro da vítima. Esses índices levam o Brasil a emplacar a 5ª posição no ranking mundial de feminicídio (homicídio com motivação de gênero). Um dado ainda mais preocupante, é que apenas 48% chega a fazer a denúncia.

São 4.473 homicídios dolosos (onde há intenção de matar), sendo 946 feminicídios, ou seja, casos de mulheres mortas em crimes de ódio motivados simplesmente por ela ser mulher.

Mercado de trabalho

No mercado de trabalho elas também sofrem discriminação. Além de ganhar apenas 84% referente ao salário dos homens, a taxa de desemprego também é mais alta: 13,4%, contra 10,5% do sexo masculino.

Mesmo exercendo a mesma função, as mulheres ainda não alcançam a remuneração dos homens. Nos cargos operacionais, a diferença entre os salários chega a 58%, e para especialista graduado é de 51,4%. Um nível alarmante, visto que elas trabalham mais.

Em média, as mulheres têm uma carga de trabalho de 55,1 horas, e os homens apenas 50,5 horas. Isso se justifica pelo excesso de trabalho doméstico. Trabalhando menos horas na rua (com salários reduzidos), elas acumulam mais cinco horas de serviço não remunerado dentro de casa.

Apesar disso, o número de mulheres “chefes de família” cresceu nos últimos anos. Elas foram responsáveis por pelo menos 40% das casas brasileiras em 2015.

No total, 70% delas estão fora do mercado de trabalho. A maioria tem 50 anos ou mais, não tem nenhuma escolaridade ou só chegou a cursar até o Ensino Fundamental.

Sociedade

A necessidade de alcançar o estereótipo magro imposto pela mídia é uma das principais causas de distúrbios alimentares, que levam mulheres a morte. O padrão de beleza faz com que 77% das meninas de 10 a 24 anos a serem propensas a desenvolver doenças como bulimia e anorexia. Para piorar, 47% delas acreditam que mulheres mais magras são mais felizes. Como consequência, 90% dos pacientes desses distúrbios são do sexo feminino.

Ligada à cultura patriarcal, que a enxerga como um ser dependente do homem, está a objetificação da mulher. Algo que interfere no dia-a-dia e no psicológico do público feminino. Na mídia, na publicidade, nos vídeo- games, em revistas, jornais e filmes, elas são retratadas como objetos sexuais. Ou seja, a aparência da mulher importa mais do que todos os outros aspectos que as definem enquanto indivíduo.

Sendo assim, a mulher acaba desenvolvendo problemas psicológicos, como a auto-objetificação. Um distúrbio em que ela começa a se ver pelos olhos de uma terceira pessoa. O que gera uma cobrança maior para alcançar o padrão imposto pela sociedade, tendo como consequência a baixa autoestima.

Em campanhas publicitárias, como as de cerveja, por exemplo, mulheres são estereotipadas e hipersexualizadas. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Instituto Patrícia Galvão e Instituto Data Popular, 84% dos entrevistados concordam que o corpo da mulher é usado para a venda de produtos nas propagandas de TV e 58% entendem que a mulher é representada como objeto sexual nessas peças publicitárias.

Política

Segundo especialistas, quanto maior for o número de mulheres no Poder Legislativo, mais confiável é a execução da democracia. Ou seja, quanto mais postos as mulheres conquistam na cúpula do governo, mais igualitário tende a ser aquele país – ou, pelo menos, mais preocupados os governos estão em reduzir as diferenças entre os gêneros.

De acordo com a Inter-Parliamentary Union – uma associação dos legislativos nacionais de todo o mundo – no Brasil, apenas 10% dos cargos de deputados são ocupados pelas mulheres. O país está no 154º lugar entre 193 países do ranking elaborado pela associação, ficando na frente apenas de alguns países árabes, do Oriente Médio e de ilhas polinésias.

Para mudar esse cenário, algumas medidas foram adotadas na legislação eleitoral brasileira nos últimos anos. A Lei nº 9.504/1997, que rege as eleições, estabeleceu uma cota para mulheres. De acordo com a lei, 30% das vagas deve ser destinada ao público feminino.

Torcemos para que esse cenário em todo o mundo mude cada vez mais. Enquanto isso, o Dia Internacional da Mulher deve ser uma data para lembrar a luta diária que o sexo feminino enfrenta todos os dias.

A Yes! deseja respeito e igualdade para todas as mulheres. Que todas possam ser o que quiser, realçando sua beleza única e cheia de poder. Que a luta por direitos iguais seja diária, para um dia chegarmos onde quisermos. #RespeitoparaTodas.
 

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